Remoção de PMMA na face: como funciona a cirurgia, quando é indicada e o que esperar?

Você já pode ter ouvido a doutora Priscilla lima Bovo alertar do uso de PMMA ou viu em noticiários os riscos, complicações e até mesmo a proibição desse tipo de componente em cirurgias com fins unicamente estéticos.

Mas você sabe como o procedimento funciona e para que ele é indicado após a proibição dos órgãos de saúde no Brasil?

Nesse artigo você entenderá como a cirurgia funciona, como era aplicado e para quais fins o Ministério da Saúde permite esse tipo de produto em procedimentos.

E lembre-se, compartilhe com aquela pessoa que fez uma consulta para usar o PMMA em procedimentos estéticos.


O que é o PMMA e por que ele continua sendo um problema?

"PMMA (polimetilmetacrilato) é um polímero plástico usado em géis de preenchimento. Entidades médicas e conselhos no Brasil desaconselham seu uso para fins estéticos de grande volume devido aos altos riscos de rejeição, deformidades graves, necrose e infecções generalizadas, sendo permitido apenas em restritas reparações médica"

O polimetilmetacrilato, conhecido pela sigla PMMA, é um polímero sintético utilizado por anos como preenchedor permanente em procedimentos estéticos faciais. Ele se apresenta em microesferas suspensas em um veículo, e a promessa comercial que o acompanhava era simples de entender, resultado imediato e definitivo, sem necessidade de reaplicação.

A parte que raramente era explicada ao paciente é que definitivo, nesse contexto, significa irreversível. O organismo humano não metaboliza o PMMA. Diferente de materiais reabsorvíveis, que são degradados e eliminados dentro de um prazo previsível, as microesferas permanecem no tecido pelo resto da vida do paciente, e o corpo reage a essa presença de forma contínua.

Essa reação é justamente o ponto central de tudo que se discute hoje sobre o material. Ela não acontece necessariamente no primeiro ano, nem no segundo. Em boa parte dos casos que chegam ao consultório, a aplicação foi feita há oito, dez ou quinze anos, e o paciente conviveu sem queixa nenhuma durante a maior parte desse tempo.

O intervalo entre a aplicação e o aparecimento da complicação é o que torna o PMMA tão particular. Quando o problema surge, quase ninguém associa a algo feito há mais de uma década.

A proibição do PMMA no Brasil

Em junho de 2026, o Conselho Federal de Medicina publicou resolução proibindo o uso do PMMA em procedimentos estéticos e reparadores. Semanas depois, o Conselho Federal de Odontologia acompanhou a decisão e vedou o uso da substância por cirurgiões-dentistas na região orofacial. A única exceção mantida foi o tratamento de lipodistrofia em pacientes que vivem com HIV, contexto em que o produto tem indicação específica e acompanhamento próprio.

A decisão dos conselhos não partiu do zero. A Anvisa já classificava o material em categoria de risco elevado, e a literatura sobre complicações tardias vinha se acumulando há anos, tanto em publicações nacionais quanto internacionais.

Para quem está lendo este artigo, o ponto prático é outro. A proibição interrompe novas aplicações, mas não altera em nada a situação de quem já tem o produto na face. Esse grupo é numeroso e continuará demandando avaliação e conduta pelos próximos anos.

O que acontece com o PMMA ao longo do tempo

O comportamento do material no tecido segue alguns padrões que se repetem na prática clínica.

  • Encapsulamento

O organismo identifica as microesferas como corpo estranho e responde formando tecido fibroso ao redor delas. Esse encapsulamento é uma tentativa de isolamento, e ele endurece progressivamente a região. Muitos pacientes descrevem essa fase como uma sensação de rigidez que antes não existia, perceptível ao toque e às vezes visível na movimentação da face.

  • Migração

O produto não permanece necessariamente onde foi depositado. Ao longo dos anos, sob ação da gravidade, da movimentação muscular e das próprias alterações de envelhecimento facial, o material se desloca. Isso explica casos em que a assimetria aparece muito depois da aplicação, sem que nada novo tenha sido feito.

  • Reação inflamatória tardia

Em uma parcela dos casos, o processo evolui para inflamação crônica, com episódios de dor, edema e endurecimento que vão e voltam. Alguns pacientes relatam que os episódios coincidem com quadros infecciosos comuns, como gripe ou infecção dentária, o que é compatível com uma resposta imune já sensibilizada.

  • Deformação de contorno

O conjunto dessas alterações produz mudança de forma. O contorno original se perde, e o resultado estético que motivou o procedimento se inverte com o passar do tempo.


Sinais que indicam necessidade de avaliação:

Nem todo paciente com PMMA desenvolve complicação, e é importante dizer isso com clareza para não gerar alarme desnecessário. Existem, no entanto, sinais que pedem avaliação profissional.

  • Endurecimento progressivo da região onde o produto foi aplicado.
  • Nódulos palpáveis, móveis ou fixos, que não existiam antes.
  • Episódios repetidos de inchaço sem causa aparente.
  • Assimetria que se acentua com o tempo.
  • Dor local, contínua ou intermitente.
  • Alteração de coloração da pele sobre a área tratada.

A avaliação precoce importa por um motivo objetivo. Quanto menor o grau de fibrose e de dispersão do material, mais delimitada é a cirurgia e melhor tende a ser o resultado. Casos que chegam após anos de inflamação repetida exigem procedimentos mais extensos.

A Doutora Priscilla Lima Bovo é especialista na remoção do PMMA, tendo realizado mais de 150 procedimentos de remoção com 100% das avaliações públicas positivas.

Por que a remoção é necessariamente cirúrgica

Essa é provavelmente a dúvida mais frequente de quem pesquisa o assunto. Não existe substância que dissolva o PMMA, e não existe tratamento conservador capaz de eliminá-lo. O material não responde a enzimas, não é metabolizado e não é eliminado por via natural.

Qualquer proposta de remoção sem cirurgia esbarra nessa realidade física. O que existe são condutas paliativas para controle de sintoma inflamatório, e elas têm papel em situações específicas, mas não retiram o produto.

A dificuldade técnica da cirurgia vem de uma característica particular do caso. Após anos no tecido, o PMMA não está organizado em uma coleção delimitada que possa ser simplesmente aspirada ou retirada em bloco. Ele está fragmentado, disperso e integrado ao tecido fibroso que se formou ao redor. A remoção, na prática, é uma dissecção de tecido comprometido.

O trajeto dos nervos motores e por que isso muda tudo

O plano em que o PMMA costuma estar depositado é também o plano onde correm os ramos do nervo facial. Esse nervo é motor, o que significa que ele responde pelo movimento e não pela sensibilidade. Uma lesão não compromete o tato, compromete a expressão.

O nervo facial emerge próximo à orelha e se divide em cinco ramos. O temporal comanda testa e sobrancelha. O zigomático responde pelo fechamento da pálpebra. O bucal atua sobre o sorriso e o lábio superior. O marginal mandibular controla o lábio inferior. O cervical age sobre a musculatura do pescoço.

O ramo marginal mandibular merece atenção especial em cirurgias de contorno facial. Ele é fino, tem trajeto que varia consideravelmente entre pacientes e atravessa exatamente a região onde muitos casos de PMMA se concentram.

Monitorização intraoperatória dos nervos motores

Por esse motivo desenvolvemos e aplicamos um protocolo de monitorização intra operatória nesses procedimentos. Durante toda a cirurgia, um sistema acompanha a condução elétrica dos ramos nervosos em tempo real.

O ganho prático é direto. Em vez de identificar uma alteração no pós-operatório, quando pouco resta a fazer, a informação chega no momento em que a proximidade se torna crítica, e a conduta cirúrgica pode ser ajustada ali mesmo. São mais de cem casos conduzidos com esse protocolo.

Resultado previsível em cirurgia complexa não é fruto de sorte. É consequência de protocolo, de estrutura e de repetição.

Como é feito o planejamento cirúrgico

O planejamento começa na primeira consulta, com anamnese detalhada. Interessa saber quando o produto foi aplicado, em qual região, em qual volume aproximado e se houve aplicações sucessivas. Muitos pacientes não têm essa informação completa, o que é comum e não impede a conduta, apenas exige investigação complementar.

O exame de imagem tem papel central nessa etapa. Ele auxilia na identificação da extensão do material, da profundidade em que se encontra e da relação com estruturas nobres. A partir desses dados se define a via de acesso, a extensão prevista e a necessidade ou não de reconstrução associada.

Utilizo também simulação pré-operatória com o software Crisalix, que permite ao paciente visualizar o resultado esperado antes da decisão. Em casos de remoção de PMMA essa etapa tem peso maior do que em outros procedimentos, porque é quando se estabelece com honestidade o que a cirurgia pode e o que ela não pode devolver.

Ambiente cirúrgico e equipe

Realizo esses procedimentos exclusivamente no Hospital-Dia Vivant, com anestesista presente durante todo o ato, equipe completa e centro cirúrgico equipado.

A escolha não é protocolar por formalidade. Cirurgia em plano profundo da face, próxima a ramos nervosos e a estruturas vasculares, exige que qualquer intercorrência seja resolvida no momento em que ocorre, com os recursos disponíveis ali. Ambiente com estrutura reduzida limita o que é possível fazer diante do imprevisto, e o imprevisto é exatamente o que a estrutura existe para cobrir.

Como é o pós-operatório

O pós-operatório de remoção de PMMA não acompanha as mesmas fases fisiológicas de qualquer cirurgia facial. Ele tem a  a particularidade de envolver tecido previamente inflamado, o que pode prolongar a fase inicial. Por isso o acompanhamento de equipe especializada com protocolo rígido, é tão importante.

Primeiras setenta e duas horas

Período de maior edema, com pico entre quarenta e oito e setenta e duas horas. A conduta se concentra em repouso relativo, cabeceira elevada e adesão à orientação recebida. Equimoses podem surgir e migrar por ação da gravidade, o que é esperado.

Primeira à terceira semana

Fase proliferativa, em que o tecido é reconstruído e a cicatriz ganha resistência. A cicatriz permanece avermelhada e endurecida nesse período.

Do primeiro mês em diante

Início da remodelação, fase que se estende por doze a dezoito meses. A cicatriz clareia, achata e amolece de forma gradual. É também aqui que o contorno final se define, motivo pelo qual avaliação de resultado aos trinta dias não corresponde ao resultado real.

Acompanho cada paciente por aproximadamente noventa dias, até a alta definitiva. Cada retorno avalia uma fase distinta do tecido, e a função do acompanhamento é identificar qualquer intercorrência enquanto ela ainda é simples de resolver.

Quem deve realizar a remoção

Centro Cirúrgico do hospital Dia-Vivant, onde a Dra. Priscilla Lima Bovo e sua equipe já removeram PMMA de casos extremos de dezenas de pacientes.
O Hospital conta com uma estrutura completa e processos específicos para casos de complicação com PMMA.

Conheça a estrutura hospitalar e fale conosco

A remoção de PMMA exige formação cirúrgica específica para trabalho em plano profundo da face, domínio da anatomia dos ramos do nervo facial e acesso a estrutura hospitalar adequada.

Antes de decidir, vale confirmar a formação e o registro do profissional no conselho de classe, entender onde o procedimento será realizado, verificar se haverá anestesista presente e perguntar quantos casos semelhantes aquele profissional já conduziu. São perguntas que qualquer profissional seguro do próprio trabalho responde sem desconforto.

Dra. Priscilla Lima é especialista em remoção de PMMA


Perguntas frequentes

A remoção retira todo o produto?

O objetivo cirúrgico é remover a maior quantidade possível de material e de tecido comprometido, preservando estruturas nobres. Em casos de longa data e ampla dispersão, remoção completa pode não ser tecnicamente viável sem comprometer função. Isso se estabelece no planejamento, nunca depois.

É possível reconstruir o contorno perdido?

Sim, em muitos casos. A reconstrução pode ser feita no mesmo tempo cirúrgico ou em segundo tempo, conforme a condição do tecido. Próteses faciais e reposicionamento de tecido próprio estão entre os recursos disponíveis.

Quanto tempo depois volto à rotina?

O prazo varia conforme extensão do caso e tipo de atividade. Esse dado é informado de forma realista na consulta, e prefiro que o paciente ouça um prazo honesto antes da cirurgia a descobrir sozinho depois.

Tenho PMMA e nenhum sintoma. Preciso remover?

Ausência de sintoma hoje não significa ausência de risco no futuro, mas também não indica cirurgia imediata. A conduta correta nesse cenário é avaliação com exame de imagem para estabelecer uma linha de base e acompanhar a evolução.

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